segunda-feira, 26 de setembro de 2011

I dreamed a dream



Acho impressionante a capacidade dos indivíduos de se expressaram através da música.Pessoas que levam uma vida difícil,muitas vezes, mas fazem da música a sua bengala.Elas só "querem viver a vida fazendo o que acreditam que nasceram pra fazer."
A vida muda quando se tem música, quando se sente a música e é maravilhoso perceber que ainda existem pessoas tão simples, mas que guardam dentro de si um grande tesouro,aquele que poucos tem(ou melhor, que poucos tem a sensibilidade para perceber).É de emocionar e de agradecer a Deus esse elemento tão maravilhoso que Ele, em sua inteligência perfeita e amor incondicional,nos deu como instrumento para percebê-Lo.

Viva a boa música, viva a humildade e a simplicidade...viva a sensibilidade.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Há tanto tempo não escrevo…
Meus dias entupidos de trabalho,cansaço e discussões me tomam todo o tempo!Há quanto tempo que os meus olhos não cantam mais os sentimentos do coração.Não vejo mais a dança que me hipnotizava, não ouço mais a doce melodia que o coração tocava…
Doce época das luzes azuis que rodavam o meu quarto ao som de “chuva”...eu via danças e cores, com as mesmas características dos meus mais puros sentimentos, e eu adormecia embalada pelas mais maravilhosas sensações.
Ah,Senhor… há tanto tempo que não escrevo…há tanto tempo que não sonho…

PS:Esse texto foi escrito dia 07/07/2011, sendo que a última vez que eu havia relatado qualquer evento,de qualquer ordem,de forma escrita foi dia 08/08/2010.
Ai está um dos poemas que mais gosto(na verdade, tenho uma certa predileção por este).Pablo Neruda consegue fazer, sem muito rodeio,uma síntese perfeita de seus sentimentos(e de muitos sentimentos vividos por outras pessoas que não tem essa capacidade de síntese),sem banalizá-lo.



Não te amo como se fosses rosa de sal,topázio
Ou flecha de cravos que propagam fogo:
Te amo como se amam as coisas mais obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.


Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si,a luz daquelas flores,
E graças ao teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.


Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo diretamente, sem problemas nem orgulho
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira

Senão assim deste modo em que não sou nem és
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha
Tão perto que se fecham os teus olhos nos meus sonhos.

(Pablo Neruda)

Era um menino de olhos vibrantes.Olhos que jamais aquela menina havia visto, apesar da sua pouca idade.Quando ela o viu, saiu de si e se percebeu em um ambiente completamente diferente do que habitava.Flores, folhas, um sol radiante, a grama verde e macia,o bosque que embelezava ainda mais o ambiente e deixava aquela sensação de mistério e beleza, que fascinava a garota.
Mas ela então percebeu aquele mesmo menino sentado em um outro pedaço de terra(que não era tão maravilhoso quanto o seu) olhando fixamente para ela.
- Olá! Disse a menina.
-Olá! Respondeu o garoto que a olhava tão fixamente que parecia não se dar conta do acontecimento ao seu redor.
Não houve mais conversação verbal. Eles se olhavam de uma tal forma, que a comunicação se dava atravez do pensamento, dos gestos, das pequenas expressões faciais.A menina sentia cada detalhe, cada mínimo gesto do garoto, que continuava olhando-a fixamente.
Passaram muito tempo conversando sobre as coisas da vida,sobre coisas corriqueiras,até que a garota disse um dia:
- Menino, eu queria poder te dar um abraço.
O garoto sorriu pra ela,como a dizer “eu também,menina” e foi cuidar de seus afazeres.
Um dia a menina percebeu uma pequena ponte que ligava os dois pedaços de terra, que eram separados por um imenso buraco.Teve a idéia de pedir ao menino que a atravessasse, para que pudessem se comunicar melhor:
-Ei, menino!O que você acha de atravessar essa ponte para nós conversarmos?
-Eu não a vejo!Respondeu o menino.
-Como assim não a vê?Ela é larga, está aqui na frente permitindo o trânsito desse lado para o lado de cá!
-Eu não a vejo.Respondeu desanimado o menino que pouco depois saiu dali.
A menina não entendia como o garoto não conseguia enxergar a ponte tão clara que ligava os dois lados.Decidiu então ela mesma atravessar para o lado de lá.
No dia seguinte comunicou ao menino:
-Ei, garoto! Já que você não vê a ponte que eu vejo, então serei eu a atravessá-la para chegar ao seu lado da terra.
-Não faça isso, menina! Respondeu o garoto melancólico. Aqui é tão triste! Não há espaço para nós nessa mísera terra.
-Como assim não há espaço para nós?O seu lado da terra é gigante, cabendo nós dois e muita gente!
O garoto saiu novamente sem se despedir e a menina estava decepcionada. Estava disposta a tentar chagar ao outro lado, mesmo que para isso tivesse que brigar com o menino.No dia seguinte ele não apareceu,nem no outro, nem no outro.A menina se encheu de tristeza por dentro, apenas com a lembrança do olhar daquele garoto, um olhar que mais parecia o de um homem trancado em suas mais profundas mágoas.
A garotinha começou então a observar a terra em que habitava o garoto.Era uma terra muito organizada.Havia prédios bem construídos,Todo um sistema na divisão dos locais apropriados para construções civis e áreas dedicadas ao lazer.Tudo com uma complexidade muito grande.Mas havia uma parte da terra que não havia nenhum tipo de construção.Não havia nada.Nem flor, nem prédio,nem gramado… absolutamente nada! E a menina então se porguntou o porquê de tantas construções em determinados espaços e somente aquele era tão pobre.
Dias depois o garoto reapareceu.Sentou-se onde era de costume e se pos a observar a menina.
-Desculpe a minha intromissão.Começou a menina um pouco tímida. Sei que não é da minha conta e não precisa responder se não quiser, mas por que você construiu tudo isso e deixou aquele espaço totalmente vazio?
Pela primeira vez ela viu os olhos do garotinho mudar de expressão, marejados de lágrimas.
-Há algum tempo tentei construir uma estrutura jamais vista.Uma que ninguém conseguisse imitar ou fazer parecida.Quando eu estava no auge da construção, essa estrutura desabou.Todos os meus melhores sentimentos foram soterrados junto com aquela estrutura que eu amava.Não quis construir nada parecido com aquilo,nunca mais.
A garota estava quase em prantos.Então era por isso que ele não queria que ela atravessasse a ponte, mas nem precisou fazê-lo para que ela precebesse quanta dor ele trazia por conta dessa catástrofe.
- Menino,permita que eu vá ao seu lado da terra!Podemos contruir outra coisa mais bonita!Podemos fazer um belo bosque neste local, ou um jardim com flores diversas.Haverá borboletas todos os dias para enfeitar a sua terra.O por-do-sol deste lado será mais bonito e as pessoas que passarem por qualquer lugar deste terreno sentirão uma felicidade que há muito vocês não sentem.Permita que eu adentre o teu terreno!Não temo a tristeza, a solidão que sei que habitam este lugar.Nós o faremos um dos lugares mais felizes que os moradores de tua terra já viram.Confia em mim.
-Confio em ti, doce menina!Mas creio que não haja solução para este lugar.Não agora.
Hoje o menino continua a arrumar as suas estruturas e a menina espera pacientemente o convite do garotinho para travessar a ponte.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Realmente um demônio!


Existem lembranças que nos atormentam dia e noite e até nos acostumamos com algumas delas.Mas existem aquelas que,sem um motivo aparente,tomam a nossa tela mental de uma maneira inexplicável(estas são as piores, ao meu ver,pois, além de ter que lidar com os sentimentos que nos assaltam sem que estejamos preparados para recebê-los, ainda temos que lidar com a frustração de reconhecer que não conseguimos trabalhar tal lembrança,mesmo depois de tanto tempo).
Recentemente tal situação me ocorreu.A lembrança mais dolorosa que possuo simplesmente(claro que simplesmente substitui toda a problemática psico-fisiológica pela qual se deu a lembrança)me tomou a memória.Pela primeira vez me vi sem reação alguma diante do meu pensamento.Depois que recobrei a consciência as únicas coisas que sairam de mim,involuntariamente,foram lágrimas(de arrependimento,de saudade,até de felicidade...).Eu não tinha idéia de que um fato ocorrido há quase dez anos pudesse brotar e me trazer essa sensação de "impotência".
Como não acredito em "acasos",(e isso por razões não tão óbvias,mas que poderemos discutir em outro texto)há,sim,um motivo para eu ter lembrado desse acontecimento.Estou aqui,tentando descobri-lo.É um processo extremamente...complexoO(eu sei que eu poderia ter fechado o texto de outra forma mais criativa e genial,mas a inspiração acabou justamente no último parágrafo.Mas o final ficou,no mínimo...podre!)

Segundo Motivo da Rosa (a Mário de Andrade)


Por mais que te celebre, não me escutas,
embora em forma e nácar te assemelhes
à concha soante, à musical orelha
que grava o mar nas íntimas volutas.

Deponho-te em cristal, defronte a espelhos,
sem eco de cisternas ou de grutas...
Ausências e cegueiras absolutas
oferece às vespas e às abelhas.

E a quem te adora, ò surda e silenciosa,
e cega e bela e interminável rosa,
que em tempo e aroma e verso te transmutas!

Sem terra nem estrelas brilhas, presa
a meu sonho, insensível à beleza
que és e não sabes, porque não me escutas...

(Cecília Meireles)