terça-feira, 25 de dezembro de 2012

RECEITA DE ANO NOVO


"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."

(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012


Ela não queria falar. Seu orgulho e sua vaidade formaram uma liga que a impedia de pronunciar, de pensar e até de chorar. Apenas a música é que ia desfazendo esses nódulos de tensão que a incomodavam tanto. Apenas a música é capaz de tirá-la desse mar morto que ela mesma se afunda. Apenas a música a sensibiliza e a faz respirar.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012


Hoje,cansada, sem ar, sem sono, sem ânimo, mil afazeres...

Agora... aqui... com toda a minha saudade e o meu amor de sempre.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

"Eu que não me sento no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar..." (Raul Seixas)


São cérebros e mais cérebros em processo de atrofia por desuso. Pensar, trabalhar, aprender, fazer, tem sido um fardo na vida das pessoas. Ninguém vê mais a beleza de aprender alguma coisa, pouquíssimas pessoas sentem prazer em sentir o cheiro de um livro, em ser educado, compreensivo; ninguém quer aprender um novo idioma só porque acha bonito; as pessoas reclamam o tempo todo e o único objetivo da vida é gozar de uma suposta felicidade que é conquistada após a aposentadoria. A vida se resume nisso...

Que eu me esforce e Deus me ajude a não ser mais um "robô",em busca de nada;
Que, quando adulta, eu me dedique a aprender todo aquilo que eu acredite ser interessante, não para me fazer ganhar dinheiro, mas apenas pela satisfação interna;
Que eu aprenda esperanto, andar numa corda bamba, saltar de pára-quedas,falar italiano, a ficar de cabeça para baixo pendurada numa árvore;
Que eu pense sobre tudo, construa opiniões sobre todas as obras que eu puder;
Que na velhice, apenas meu corpo seja velho;
E que, se um dia eu não puder mais me levantar e ficar presa no "trono de um apartamento", que eu não espere a morte como todos os outros, porque, mesmo após a morte...

"... eu tenho uma opção de coisas grandes para conquistar e eu não posso ficar aí parado."