
E ela analisa, todos os dias, as entrelinhas daquela carta, aquela enorme carta que descreve pedaços de sua vida e pedaços de outra vida. É difícil entender certas coisas,sentir certas palavras, decifrar certos mistérios que só o coração(ou cérebro) de onde partiu tudo aquilo é capaz de compreender. E com uma doce angústia que habita o seu peito e uma lágrima suave e triste que resolve, de rebelde que é, escapar-lhe pelos olhos, ela abandona a carta sobre a cama e sai, para esquecer,para controlar a avalanche de sentimentos dentro de si.
Mas vez por outra ela volta,se senta na cama e lê novamente aquelas linhas, tão doces e angustiosas linhas, por sentir que fora elas e os seus sentimentos,nada mais restou.
Lá vai ela novamente, sob os raios alaranjados de um sol que está se despedindo, sentar-se na janela para ler sua carta(já tão amassada). E eu,tola que sou, digo: "Saia daí,criatura!Não vês que não adianta mais tentar entender essas grandes linhas? Acabou!" E ela, como só quem ama tem o dom de responder, diz numa voz doce e triste: " É. Entender é bem diferente de sentir,sabia? E dos dois, eu opto pelo segundo,então deixe-me aqui, sentindo, pois, se isso eu não puder, então minha vida perderá todo o sentido que dei a ela."
E lá fico eu,olhando e secando as lágrimas que caem,inevitavelmente, dos olhos de uma menina... de, e apenas, uma menina.