Ela então levantou- se de súbito e ele, como a entender que
aquilo era uma despedida, levantou- se também para cumprimentá-la. A menina
fixou firmemente o seu olhar nos olhos dele, se aproximou e, com a suavidade de uma flor, tocou-lhe o
rosto já tão marcado pelo tempo. Delineou cada traço, cada linha que conseguia
perceber, tentando adivinhar o porquê de elas estarem ali. Ele apenas fechou os
olhos para sentir o toque daquela mão tão suave e respirava fundo, como a
guardar dentro de si o perfume que ela carregava. Ele então abriu os olhos, a
segurou docemente pela cintura e aproximou-a ainda mais do seu corpo. Ela, com
toda a simplicidade de uma menina, perguntou: “Está com medo?” Ele apenas
balançou a cabeça negativamente e, no momento em que tentou encostar seus
lábios nos dela, cuidadosamente e com um sorriso que indicava a plena
consciência de seus atos, ela encostou o seu dedo indicador, impedindo-o de
continuar: “ Não sei se você já percebeu isso, mas eu nunca tive a oportunidade
de lhe fazer um carinho.” E tocou levemente os cabelos cacheados do menino. E
foi durante o percurso dos dedos tão magros dela por dentro dos seus cabelos,
que ele entendeu o que era verdadeiramente importante. E se sentiu feliz. Olhou
para os olhos – grandes olhos- da menina e beijou-lhe a fronte, com doçura e amor que há muito não sentia por ninguém e permitiu que sua cabeça descansasse sobre
aqueles ombros jovens, sem aflição, sem receio. Ali ficaram os dois, se
importando apenas com a presença e com a doce felicidade que sentiam na
companhia um do outro.
Mas ela abriu os olhos e tudo voltou para o guarda- sonhos
que ela havia feito.



