terça-feira, 25 de dezembro de 2012

RECEITA DE ANO NOVO


"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."

(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012


Ela não queria falar. Seu orgulho e sua vaidade formaram uma liga que a impedia de pronunciar, de pensar e até de chorar. Apenas a música é que ia desfazendo esses nódulos de tensão que a incomodavam tanto. Apenas a música é capaz de tirá-la desse mar morto que ela mesma se afunda. Apenas a música a sensibiliza e a faz respirar.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012


Hoje,cansada, sem ar, sem sono, sem ânimo, mil afazeres...

Agora... aqui... com toda a minha saudade e o meu amor de sempre.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

"Eu que não me sento no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar..." (Raul Seixas)


São cérebros e mais cérebros em processo de atrofia por desuso. Pensar, trabalhar, aprender, fazer, tem sido um fardo na vida das pessoas. Ninguém vê mais a beleza de aprender alguma coisa, pouquíssimas pessoas sentem prazer em sentir o cheiro de um livro, em ser educado, compreensivo; ninguém quer aprender um novo idioma só porque acha bonito; as pessoas reclamam o tempo todo e o único objetivo da vida é gozar de uma suposta felicidade que é conquistada após a aposentadoria. A vida se resume nisso...

Que eu me esforce e Deus me ajude a não ser mais um "robô",em busca de nada;
Que, quando adulta, eu me dedique a aprender todo aquilo que eu acredite ser interessante, não para me fazer ganhar dinheiro, mas apenas pela satisfação interna;
Que eu aprenda esperanto, andar numa corda bamba, saltar de pára-quedas,falar italiano, a ficar de cabeça para baixo pendurada numa árvore;
Que eu pense sobre tudo, construa opiniões sobre todas as obras que eu puder;
Que na velhice, apenas meu corpo seja velho;
E que, se um dia eu não puder mais me levantar e ficar presa no "trono de um apartamento", que eu não espere a morte como todos os outros, porque, mesmo após a morte...

"... eu tenho uma opção de coisas grandes para conquistar e eu não posso ficar aí parado."

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

"Amorveniência"

"Me ajuda?"  "Ajudo."
"Me empresta?"  Empresto.
"Me leva?"  "Levo."
"Burca-me?"  "Busco."
"Me lembra?" "Lembro."
"Faz para mim?" "Faço."
"Me desculpa?" "Desculpo."
 "Vem?" "Vou."
"Te amo"." Por quê?"
 "Você é gentil, sincera e me ama também."

"Venha!" "Por que você não vem?"
"Faz para mim!" "Por que você não faz?"
"Me lembre!" "Por que você não compra uma agenda?"
"Traga!" "Por que você não vem buscar?"
"Me empresta!" "Por que você não compra?"
"Ajude-me!" "Por que você não se ajuda primeiro?"
"Não te amo mais"." Por quê?"
"Você me despreza, não me ama, é má, indelicada e insensível."
Acha que não o amo porque não faço o que você quer? Porque não sou conivente com o comodismo que você criou para si?"
"..."

"Então... acabou."

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

E a madre chorou de saudades do convento, que era seu pseudoescudo-esconderijo, espelho fiel do seus medos imperdoáveis, da sua cômoda e mentirosa rotina interna.
Sentiu saudades das bênçãos que concedia, do silêncio sepulcral que ecoava nas pedras vazias e úmidas que formavam a sala  fétida e escura, onde ela se recolhia ( ainda mais) para suas orações, tão emotivas quanto as paredes de sua sala.
Ela sentiu falta da reclusão, do isolamento.

Mas a cada dia ela se vê longe dessas ações pérfidas de outrora. Que Deus abençoe os seus caminhos.

In nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Daqui estou vendo o amor...


"... vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender..."

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ciúmes


Existem coisas que não estamos acostumados a sentir, outras que não estamos preparados para sentir e outras que não deveríamos pensar em sentir, porque, mais que qualquer outra situação vivenciada, coloca em cheque tudo aquilo pelo que se está lutando.  Nunca imaginei que a menina fosse passar por uma situação dessas; perdida, de mãos atadas, chorando e confusa, porque, num determinado momento, sentiu o que nunca havia sentido antes. A dúvida assolou o seu coração de uma maneira tão cruel, punitiva e intensa, que suas articulações doíam; ela não sabia o que fazer com aquilo que a deixava sem ação. Subiu uma pequena serra, subiu em árvores, cantou,dançou, sorriu, mas no final das contas tudo reaparecia, como a pedir um destino, mas ela não sabe o que fazer. A única coisa que consegue aliviar suas “dores” é a música que ela ouve repetidamente, até cair no sono e, em seus sonhos, esquecer tudo isto.
Ela se arrisca a seguir para o seu “guarda sonhos”, mas até lá algumas coisas tendem a se desfazer e, por um minuto, o sorriso que sempre a acompanha, sede lugar para um semblante doído e seus grandes olhos vivos e brilhantes se fecham para derramar lagrimas, mas é só até que ela saiba o que fazer com tudo isso.

É infantil, é ridículo, ela sabe... talvez por isso doa tanto.

Da convivência


Há muito não via aquela mulher feliz. Tempestades, terremotos, lágrimas, injúrias, descrenças, assolaram a sua vida durante 20 anos; seus olhos, desde que eu a conheço, por mais tranqüilos que se mostrassem, no fundo só havia nuvens carregadas. Foram vinte anos de sua vida dedicados a servir a tantos que não a compreendiam, que a ignoravam, que vomitavam palavras torpes em seu rosto e rasgavam-lhe as vestes, num ato cruel de violência emocional. E era assim que ela andava há duas décadas atrás, rasgada, doente, triste. Mas foi em um desses momentos de extrema tristeza que ela revelou aquilo que ninguém jamais pensou que ela pudesse sonhar: a extrema necessidade de ser amada. Ela então se libertou das algemas que a fazia prisioneira e foi viver; era aquilo o que ela queria, o que ela precisava: conhecer a sensação de ser amada, de ser bem tratada, de ser uma mulher( já que ela viveu tanto tempo como máquina). Ela caminha para onde quer, a hora que deseja, ao lado de quem lhe faz bem e ninguém mais pode tirar isso dela. Aos poucos ela refaz sua vida,deixando que as cicatrizes sejam apenas provas de sua luta.

Que ela encontre a quem amar e, ao amar, que seja amada.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Do reconhecimento

" Não trago do mundo, Senhor,nenhuma oferenda para a tua grandeza! Não possuo senão o coração, exausto de sentir e bater, como um vaso de iniqüidades. Mas, no dia em que te lembrares do misero pecador que te contempla no teu doce mistério como lâmpada de luz eterna, em torno da qual bailam os sóis como pirilampos acesos dentro da noite, fecha os Teus olhos misericordiosos para as minhas fraquezas e deixa cair neste vaso imundo uma raiz de açucenas. Então, Senhor, como já puseste lume nos meus olhos que ainda choram, plantarás o lírio da paz no meu coração que ainda sofre e ainda ama."

- Do livro: "Crônicas de Além-Túmulo", Psicografado por Francisco Cândido Xavier.

sábado, 20 de outubro de 2012



Não, a música não é triste. Eu também não estou triste. A música apenas chega em lugares dentro de mim que nem eu mesma consigo chegar.

Este é o meu suspiro de alívio, de glória, de felicidade, mesmo que para alguns seja apenas uma música triste.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Reduzindo tudo a nada




Lá vou eu, me embriagando com o terrível vício de me esquecer. Jogo os artigos sobre a mesa, os livros no chão, a caneca de chá sempre a altura das mãos, e os devoro, todos os dias, todas as horas, até eu não saber mais o que sinto, até não me lembrar de mais nada que não seja fórmulas, vitaminas, minerais, metabolismo, forma ativa, proteínas, bactérias, e outras tantas coisas. É nesse exagero que eu me perco.  Não consigo falar de mais nada que não seja isso e a novidade é sempre esta: “estou na correria”; a superação se resume a entender o artigo que irei apresentar semana que vem. Hoje eu me cansei disso. Este processo suicida tem me deixado tão cega, que mal consigo pensar no que escrever sobre o que vejo (quando vejo); tem sugado meu equilíbrio de tal forma, que tudo é motivo para eu me sentir mal: o português ruim dos outros, os meus inúmeros erros gramaticais... até a voz das pessoas me deixou irritada hoje.
Às vezes me esqueço o quanto preciso do silêncio (mental), dos amigos, da família, do sono, do amor... me esqueço que eu preciso de mim, sóbria, serena, equilibrada.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Só um chiste...




"Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo."


Pablo Neruda

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Sê




Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.


Pablo Neruda

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Toque



É só um toque que ela ouve enquanto carrega seus pensamentos para o "guarda- sonhos"; enquanto espera pacientemente impaciente; enquanto corre dentro de si mesma; enquanto lembra... enquanto presta atenção em seu respirar calmo e suave.

É só um toque que ela ouve... enquanto vive.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012


É que os olhos, melhor que os lábios, falam
Verbo sem som, à alma que é de luz
— Ante a fraqueza da palavra humana —
O que há de mais divino o olhar traduz.
( Machado de Assis)



Eles são lindos! Tímidos, mas felizes; cuidadosos, mas cheios de expressões. É que ele toma cuidado para que ninguém mais perceba o que é apenas para ela. É assim que se gostam, que se respeitam, que se amam. Com os olhos... com a alma.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Acorda, Alice!

Num milésimo de segundo Alice se transportou para um outro lugar( não, não é o país das maravilhas.). Já não precisava  da árvore com um portal e um túnel, muito menos fechar os olhos: já era uma expert em transportar-se sem esses meios.
Alice se via na mesma avenida em que estava, mas podia sentir a presença e o cheiro de seus sonhos mais ternos e íntimos. O curta metragem que se passou era tão bobo( era quase idiota!), mas lhe trouxe uma emoção tão grande, que ela não suportou o impacto: permitiu que uma lágrima brotasse de seus olhos e morresse em seu largo sorriso de felicidade. Mas ela ouviu: "Acorda, Alice!" e ela precisava acordar. Alice já é uma mocinha e não pode ficar "perambulando" por estes sonhos assim... sem mais nem menos.

Acorda, Alice.

sábado, 1 de setembro de 2012

"V" de vingança


- Durante vinte anos eu espero este dia. Nada mais existiu, até eu ver você. Então tudo mudou. Eu me apaixonei por você, Evey, como eu pensei não mais ser possível.   ( "V" de vingança)


Porque até os que classificamos como "monstros", também são tocados pela fagulha do amor.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Do sonho que é só dela


Ela então levantou- se de súbito e ele, como a entender que aquilo era uma despedida, levantou- se também para cumprimentá-la. A menina fixou firmemente o seu olhar nos olhos dele, se aproximou  e, com a suavidade de uma flor, tocou-lhe o rosto já tão marcado pelo tempo. Delineou cada traço, cada linha que conseguia perceber, tentando adivinhar o porquê de elas estarem ali. Ele apenas fechou os olhos para sentir o toque daquela mão tão suave e respirava fundo, como a guardar dentro de si o perfume que ela carregava. Ele então abriu os olhos, a segurou docemente pela cintura e aproximou-a ainda mais do seu corpo. Ela, com toda a simplicidade de uma menina, perguntou: “Está com medo?” Ele apenas balançou a cabeça negativamente e, no momento em que tentou encostar seus lábios nos dela, cuidadosamente e com um sorriso que indicava a plena consciência de seus atos, ela encostou o seu dedo indicador, impedindo-o de continuar: “ Não sei se você já percebeu isso, mas eu nunca tive a oportunidade de lhe fazer um carinho.” E tocou levemente os cabelos cacheados do menino. E foi durante o percurso dos dedos tão magros dela por dentro dos seus cabelos, que ele entendeu o que era verdadeiramente importante. E se sentiu feliz. Olhou para os olhos – grandes olhos- da menina e beijou-lhe a fronte, com doçura e amor que há muito não sentia por ninguém e permitiu que sua cabeça descansasse sobre aqueles ombros jovens, sem aflição, sem receio. Ali ficaram os dois, se importando apenas com a presença e com a doce felicidade que sentiam na companhia um do outro.

Mas ela abriu os olhos e tudo voltou para o guarda- sonhos que ela havia feito.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

E ponto!


Por pelo menos uma hora, eu tive a brusca impressão de não o conhecer. Jamais poderia imaginar que o homem que seria o mais importante para mim, poderia dizer que eu não faço diferença na vida dele. Ele próprio fez minhas malas e atirou-as para fora do seu coração (se é que um dia eu estive lá). “Saia.” Esta foi sua última fala. Desconsiderou os esforços para nos mantermos em harmonia, mesmo quando ele próprio a queria destruir; as tantas vezes que dividimos com ele o peso que seus ombros e seus pés já não conseguiam mais carregar... Eis que agora ele é um homem de Deus e no seu coração, na sua casa e na sua vida já não há mais lugar para os outros, nem para os que ele chama de “família”. Se eu sinto raiva? Não, não. Em todos esses anos de convivência eu aprendi que os irmãos mais necessitados precisam mais do nosso amor que qualquer outra pessoa. Eu entendo e respeito sua decisão.  Precisamos da tristeza para aprender algumas lições e, se essa é a necessidade dele, que assim seja. E ponto.

Que Deus permaneça segurando a sua mão.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Dos detalhes



Me disseram uma vez que “ a vida é feita de detalhes”,mas pensando agora,não concordo muito com essa frase.Dizer que a vida é feita de detalhes é justamente ignorar o sentido da palavra.Não se amarra um detalhe no outro, no outro,no outro,no outro e desse tanto de detalhes se obtem um inteiro que é a vida.Na verdade  o detalhe é o que amarra os “todos’’ que temos e o que dá sentido ao conjunto.
Os detalhes são os mais difíceis de se perceber,porque eles não se mostram,não ficam nem ao lado do todo,mas por trás.Temos que descobrí-los.Não precisa ser um músico ou musicista para perceber os detalhes da música, como também não precisa ser um idoso para perceber os da vida(mas algumas vezes é preciso um pouco mais de experiência para ter essa percepção mais latente).
Algumas pessoas se emocionam profundamente com uma música.Umas nem chegam a chorar,mas todas as expressões, desde o brilho dos olhos ao tom de voz,mudam por conta da emoção.Ninguém começa a se emocionar ao primeiro toque da música.Tem sempre uma parte,uma nota,um detalhe percebido inconscientemente,que  traz todo um sentimento,muitas vezes incontrolável,incompreendido,injustificável e a partir daí todo o resto começa a ter um sentido mais real.A vida é do mesmo jeito.Quem nunca chorou sem ter um motivo aparente?São os pequenos detalhes que descobrimos inconscientemente(alguns são mais fáceis de aceitar que outros)e depois uma reação frente à descoberta.O poder dos detalhes…uma nota,uma lágrima,uma palavra,um olhar,um sorriso,um arranhão,um sonho,um passeio,um adeus,um até logo,uma voz,… ainda teremos que trabalhar muito a nossa sensibilidade para percebê-los como realmente precisam e merecem .


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Da conversação

(O tio faz um café, bem quentinho, e serve para a menina.  Então ele se senta, olha no fundo dos olhos dela... )

Tio: Neguinha, como está o seu coração?

Menina (assustada com a pergunta): Está ótimo! Batendo forte, todos os dias.

Tio(com cara de preocupado): Você se afastou daquele menino?

Menina: Por que eu deveria?

Tio: Neguinha, ele não é o tipo de pessoa com quem você deva conviver!

Menina: Por quê?

Tio: Não vem ao caso agora...

Menina ( com uma cara de perplexidade com a resposta do tio): Como não? Você quer  que eu me afaste de alguém e não quer me dizer os seus motivos! Você, meu caro, está falando da minha vida!

Tio: Neguinha, eu já tenho 47 anos de idade, já vi muita coisa nessa vida, conheci muita gente. Eu não quero que você se machuque com essa história, entendeu? Ele é uma pessoa que tem muitos problemas e esses problemas são muito grandes para que você se envolva! Deixe-o ir, afaste-se! Pessoas melhores vão surgir na sua vida, você vai ver!

Menina ( com o ar de serenidade que só uma menina tem): Eu respeito muito os seus 47 anos de idade e agradeço a sua preocupação. Certo dia, conversando a sua esposa, ela me contou a história de vocês dois.

Tio: O que isso tem..

Menina:Tem que vocês dois tiveram muitas dificuldades para consolidar o relacionamento de vocês. Para os pais dela, para os amigos mais queridos, você era uma pessoa problemática e ela não precisava de uma pessoa assim na vida dela! Você consegue imaginar quantos amigos de 40, 42, 45, 47, 53 anos de idade, além do pai e da mãe dela, deram esse mesmo conselho para ela, com relação a você? O rapaz, que andava como um louco, de calça rasgada, chinelo de dedo, corrente no pescoço e ainda que gastou o seu primeiro salário comprando garrafas de cachaça e, um belo dia fez o favor de aparecer bêbado na porta da casa dela? Quantas pessoas, naquele dia, disseram que você tinha sérios problemas e que ela não precisava disso na vida dela? Quantas pessoas, que só queriam vê-la feliz, disseram tudo isso que você está me dizendo? E olha que eles tinham motivos de sobra e jogavam todos na cara da pobre tia. O que ela fez,tio? Me diga em voz alta o que ela fez.
Tio (já com a cabeça baixa): Ela não me deixou.

Menina: Pois é,tio! Imagina se ela tivesse seguido os sábios conselhos dos seus pais, amigos e avós?

Tio ( quase sussurrando) : Não gosto nem de imaginar.

Menina: Eu sei que não. Todos temos problemas e cometemos erros, mas se todos fossem se afastar por causa disso, o que seria de nós? Isso é até uma falta de caridade!

Tio: Pensando bem...

Menina: Sabe tio, eu prefiro chá.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Canecas e chás...e muitos chás


É aqui que deixo os meus demônios. Sentada na cadeira do escritório,à meia noite e meia,atiro-os, todos eles.Liberto-os dos giros do meu cérebro,do sangue que corre nos menores capilares do meu coração,juntamente com as idéias mais doloridas de minha alma.É que nós não nos misturamos.As felicidades são mais sutis,mais leves, e logo se diluem nos pontos de luz(ainda poucos,reconheço) em mim,mas os meus demônios, não.
Mas eu não os jogo fora. Retiro-os, claro, de mim, principalmente quando afetam as minhas fragilidades (sempre), e os guardo em outro lugar.Por que os guardo? Para olhá-los mais profundamente e entender o seu significado. É que demônios se tornam anjos, na verdade, esses demônios NOS tornam anjos, uma hora (e aí nós temos a eternidade para entender o significado de uma hora).
Aqui despejo as minhas dificuldades em lidar com as coisas fáceis, com as coisas bonitas e também as minhas facilidades em contornar o que não é tão bonito assim… são os meus demônios que farão de mim, ainda átomo, arcanjo.
E entre chás e canecas(minha linda coleção de canecas) eu os avalio e eles sorriem para mim. Eles não são tão feios quanto o nome que usei para designá-los. Eles são apenas retratos do que fui e do que fiz… alguns outros são reflexões das conseqüências do que vou fazer.
Outros, porém, são só histórias( ou estórias) do que vejo por aí( apesar da pouca idade terrena, eu vejo, sim, muita coisa) e interpreto, de acordo com a minha visão, um tanto 
embaçada, admito. Mas assim eu vou tentando, escrevendo( muito mal, preciso admitir também) sobre as minhas problemáticas, porque as minhas felicidades eu trato aqui, (quase) egoisticamente, dentro de mim mesma. 


Acho que preciso de mais chá...


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Das lembranças

Nessa madrugada fria, elas resolvem dançar em minha mente. Mal serro as pálpebras, cheias de tédio e de reflexões, e elas saltam, quase que involuntariamente, e fazem o seu show, apenas para mim. Estavam todas guardadas, presas, mas depois de ouvir a voz tão doce deste coração menino, me distraí por um segundo e todas elas estão aqui, no meu consciente. Hoje eu não irei prendê-las. Apenas fecharei estes - grandes - olhos e deixarei que continuem a dançar este "Noturno" em que se espelham. Afinal, não são lembranças ruins( apesar de querer evitá-las). São doces, com uma pontinha de dor no final(ou será saudade?). Mas vou deixá-las por aqui.

Não quero prendê-las... não hoje.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

E eu sempre vou de encontro as linhas paralelas.Eu traço,tranço,dou nós e enfeito.São os meus caminhos...muito mais além do que deveriam(ou do que se imagina que eu poderia fazer) e muito mais aquém do que eu desejo.São as minhas escolhas,a minha visão...complexa com um toque de leveza.

A rota do indivíduo


"...parece que quem parte é a ferrovia."

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Do medo da solidão


Estava começando a ficar difícil. A menina se sentia incomodada com aquele comportamento tão complicado que a garota apresentava.No momento do telefonema, a sua vontade foi de dizer “umas verdades” para aquela que a insultava do outro lado da linha, mas preferiu um inexpressivo“ aham”( sei que o vocabulário da menina não é tão vasto, mas acho que outras expressões seriam mais agradáveis). Durante os quinze minutos em que escutava a doce voz da garota, uma pergunta surgiu para a menina: “ Por que esse medo de estar só?” Ela pensou em fazer essa pergunta para a cidadã que proferia palavras tão desesperadas(as quais a menina já não prestava mais a atenção), mas preferiu guardá-la para maiores reflexões.
Por que esse medo de estar só? Estar em sua própria companhia é tão difícil assim? Para a menina, que gosta dos seus momentos solitários, este comportamento, que beira um falso coletivismo, era um verdadeiro absurdo, mas deve ser tão complicado não conseguir suportar-se, precisar que as pessoas estejam sempre ao seu lado, o tempo inteiro, todas as horas, todos os segundos do dia. Por que ter medo de si mesma? Existem verdades em nós que ainda não temos coragem de ouvir e, é nesses momentos de solidão que a consciência – onde reside a lei de Deus, para nós espíritas – trás todas essas informações. Pode ser que não seja medo de estar só, podem ser várias outras coisas, mas tudo culmina na fragilidade, no medo e no desespero. Coube à menina repensar em suas colocações e apenas entender.

Quando compreendermos os verdadeiros sentido e poder dos momentos a sós, daremos mais valor a essas oportunidades. Até lá, ficamos com essas idéias distorcidas e precipitadas que “solidão e tristeza são irmãs”. 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Das traições- parte 1

O único problema de tudo é que os olhos nunca colaboram. Falam incessantemente do que não deveriam falar, sempre na hora errada, próximo a pessoas erradas e o pior... desestabilizam todo o resto do corpo,principalmente quando resolvem chorar. É nessa hora que toda a operação meticulosamente planejada, é desabilitada. Falha. Quando estão sendo acusados, eles então se abrem, grandes,vivos,solitários e até ingênuos: " Eu só disse a verdade". E ninguém mais é capaz de acusá-los.

Não sei se preciso aprender a conviver com isso.

sábado, 30 de junho de 2012

Da lembrança inesperada



Numa cidade quase desconhecida,numa rua quase familiar, a menina corria, tentando evitar que a chuva a molhasse. Mas aquilo era uma diversão,não um sofrimento. Corria porque achava divertido, se sentia livre... e ria...ria alto... soltava gargalhadas no meio da rua deserta.  Já dentro da casa, ela correu para o quintal, o imenso quintal, e viu a chuva cair forte e se misturar com os raios de um sol que se despedia. Um espetáculo, o céu laranja forte e o barulho da chuva.

Foi ao som da chuva e de chopin que a menina que estava numa cidade quase desconhecida, que correu numa rua quase familiar e que estava quase triste, por um breve e intenso momento, foi completamente feliz.

sábado, 16 de junho de 2012

Da menina do conto de fadas

‎"Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada…"


Mas o desencanto é apenas um momento vivido pela menina, ,porque ela é o próprio encanto, é a própria fada, cujas asas possuem o mais doce e terno brilho. E essas coisas verdadeiras que se conquistam dia-a-dia nunca se perdem.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Sem aspas

... e vá se livrando de tudo aquilo que não lhe pertençe, até que fique só a essência...só a luz...só o amor.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Da carta que ela lê

E ela analisa, todos os dias, as entrelinhas daquela carta, aquela enorme carta que descreve pedaços de sua vida e pedaços de outra vida. É difícil entender certas coisas,sentir certas palavras, decifrar certos mistérios que só o coração(ou cérebro) de onde partiu tudo aquilo é capaz de compreender. E com uma doce angústia que habita o seu peito e uma lágrima suave e triste que resolve, de rebelde que é, escapar-lhe pelos olhos, ela abandona a carta sobre a cama e sai, para esquecer,para controlar a avalanche de sentimentos dentro de si.
Mas vez por outra ela volta,se senta na cama e lê novamente aquelas linhas, tão doces e angustiosas linhas, por sentir que fora elas e os seus sentimentos,nada mais restou.

Lá vai ela novamente, sob os raios alaranjados de um sol que está se despedindo, sentar-se na janela para ler sua carta(já tão amassada). E eu,tola que sou, digo: "Saia daí,criatura!Não vês que não adianta mais tentar entender essas grandes linhas? Acabou!" E ela, como só quem ama tem o dom de responder, diz numa voz doce e triste: " É. Entender é bem diferente de sentir,sabia? E dos dois, eu opto pelo segundo,então deixe-me aqui, sentindo, pois, se isso eu não puder, então minha vida perderá todo o sentido que dei a ela."

E lá fico eu,olhando e secando as lágrimas que caem,inevitavelmente, dos olhos de uma menina... de, e apenas, uma menina.


terça-feira, 12 de junho de 2012





"Mas se amo os teus pés 
É só porque andaram 
Sobre a terra e sobre 
O vento e sobre a água, 
Até me encontrarem." 
(Pablo Neruda)

sábado, 9 de junho de 2012

Do despir-me de mim mesma

Sai desse pouso, sai desse canto, sai desse leito. Deixa eu tocar o teu peito, sentir o teu jeito, arrancar de dentro de ti essa opressão que tenta sugar a seiva do teu corpo vital. Vem! Cuido-te com calma. Dês a ti o direito de ser livre e feliz. O amor? O amor cura tudo: os males do corpo e os males da alma. Depois? Depois tu voltas. E eu? Volto contigo.

terça-feira, 5 de junho de 2012

I dreamed that love would never die I dreamed that God would be forgiving... ...And still I dreamed he'd come to me And we would live the years together, But there are dreams that cannot be And there are storms we cannot weather.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O homem que estocava o tempo

Tempo e amor. E porque tinha demais, não dava importância. Mas um dia essas coisas foram se acabando, e ele se viu sem nada. Foi numa viagem de trem que eu o conheci. Era um senhor distinto, apesar de se vestir de maneira simples. Dizia-se ser muito elegante. Perguntei o que fazia, sem dar muita atenção, apenas para ser educado e tornar a viagem um pouco mais agradável. Disse-me ser um mercador. E foi mais ou menos assim que se deu essa conversa: - Mercador? E com o que trabalha? - Compro tempo. - Desculpe? - Perguntei ainda sem tirar o jornal do rosto. Pelo canto do olho pude notar que o homem percebeu que eu havia entendido o que ele havia dito. Mesmo assim, muito educadamente, repetiu: - Compro tempo. - Compra e vende tempo? – E achei a idéia absurda. Como alguém poderia comprar o tempo? E para quê algo tão sem sentido. Mas fui deixando a conversa seguir... - Não, só compro. - Mas se não vende que valor tem isso? Como irá lucrar? - Estou estocando, guardando todo tempo que consigo achar, para quando faltar. E fui achando aquilo mais absurdo ainda. Confesso que já estava um pouco indignado com aquela conversa, mas continuei sabe-se lá porque... - Mas isso não faz sentido. Essas coisas não tem valor. Tem no mundo de sobra. Se não irá vender, não irá lucrar. De que adianta guardar? O homem olhou para mim com um leve sorriso condescendente e não disse nada. Mas eu, nessas tolices da vaidade, interpretei o gesto como desdém e fiquei mais irritado ainda. Não quis continuar a conversa. Se era algo que valia tanto, não era eu quem ia gastar o meu tempo ouvindo aquelas besteiras. Fui olhando a paisagem, as folhas no pasto, meu relógio de bolso, e assim a viagem foi passando. Em certa estação, não me lembro mais qual delas, ele me deu sorriso e um adeus extremamente educado. Eu confesso ter sido um pouco ríspido– eu estava ainda irritado, nem tanto pelas tolices, mas mais pelo ar arrogante do sujeito. Fiz um movimento de cabeça qualquer, sem aparentar dar muita atenção, o que considero hoje muito infantil de minha parte. Ou talvez nem tenha respondido o cumprimento. Ele desceu do trem e se foi. Nunca mais ouvi falar. Continuei vivendo minha vida de qualquer maneira. Confesso que por diversas vezes – e aí os senhores vão me achar um pouco infantil -, me lembrava daquele homem em algumas situações, quando estava gastando meu tempo. “Veja, seu tolo... quer comprar o tempo? Dou-lhe de graça. Tenho de sobra...”. Mas os anos foram se passando. Amores vieram e se foram. Alegrias e tristezas passaram por mim. E agora, hoje que me faltam os anos, percebo o quanto o tempo é importante. Mas não tenho muitos mais. Quisera eu ter estocado, guardado algum para os bons momentos. Gostaria imensamente de comprar algum, mas não se acha. E agora eu entendo aquele senhor. (Eduardo Prates)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Quando eu

Quando eu não te tinha Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo. Agora amo a Natureza Como um monge calmo à Virgem Maria, Religiosamente, a meu modo, como dantes, Mas de outra maneira mais comovida e próxima ... Vejo melhor os rios quando vou contigo Pelos campos até à beira dos rios; Sentado a teu lado reparando nas nuvens Reparo nelas melhor — Tu não me tiraste a Natureza ... Tu mudaste a Natureza ... Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim, Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma, Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais, Por tu me escolheres para te ter e te amar, Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente Sobre todas as cousas. Não me arrependo do que fui outrora Porque ainda o sou. (Alberto Caeiro)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Do respeito ao meu cansaço

Senhor,peço permissão para baixar as armas,deixá-las no chão,retirar esta boina da cabeça e este uniforme do corpo porque,neste momento,não sou digna de tê-los.Quero pedir-te que me deixes chorar este cansaço, pensando em minhas vitórias e derrotas,nos amigos que se foram nessas batalhas e nos outros que ganhei; deixe, meu senhor, ao menos agora dizer que estou cansada.Me cansei.Hoje,neste exato momento,eu estou cansada de amar,de querer, de ter e peço com todo respeito, que respeite este meu cansaço e me libere apenas hoje para que eu possa ter comigo mesma.Deixe-me sair de forma, comandante! Mas eu aqui ergo a minha mão direita e deixo cair uma lágrima, na promessa de que não tardarei.Eu voltarei, acredite!Mas nesse instante,como qualquer soldado que aprendeu a sentir,eu preciso descansar,porque sentir, pensar e entender,uma vez ou outra,nos deixa assim.Neste instante partirei,comandante!E assumo que parto porque hoje eu cansei de amar.Desistirei,porém, no dia em que me cansar desses cansaços.Até lá,preciso de um tempo, de muita chuva e do meu lugar. Permissão para sair de forma,senhor.Permissão para sair de cena. Só hoje. Somente agora. Obrigada,comandante.

domingo, 13 de maio de 2012

Da Coincidência

“Eu olhava esse menino, com um prazer de companhia, como nunca por ninguém eu havia sentido. Achava que ele era muito diferente, gostei daquelas finas feições, a voz mesma, muito leve, muito aprazível. Porque ele falava sem mudança, nem intenção, sem sobêjo de esforço, fazia de conversar uma conversinha adulta e antiga. Fui recebendo em mim um desejo que ele não fosse mais embora, mas ficasse, sobre as horas, e assim como estava sendo, sem parolagem miúda, sem brincadeira— só meu companheiro amigo desconhecido.[...] Mas eu aguentei o aque do olhar dele. Aqueles olhos então foram ficando bons, retomando brilho. E o menino pôs a mão na minha. Encostava e ficava fazendo parte melhor da minha pele, no profundo, desse às minhas carnes alguma coisa. “ (João Guimarães Rosa)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Dos lugares


E dos lugares que me oferecem, o teu coração é o que melhor me cabe. Já tem minha cama, meu abajur, livros, quadros...
É o que melhor me sustenta depois de um dia inteiro de trabalho e cansaço;
É o que melhor me esquenta nos dias de neve que a vida me traz;
O que me abraça depois dessas andanças a lugar nenhum, me fazendo um carinho e me oferecendo o sono.
Dentre os maiores segredos que tenho,o que me faz entender o teu coração é o maior de todos eles;
A expressão da simplicidade;
O reflexo da complexidade;
O que permanece e vai ao mesmo tempo.
Dentre os lugares mais lindos que já vi, o teu coração é o que eu mais admiro;
A sensibilidade e a frieza convivendo juntas;
O amor e o medo tentando um equilíbrio;
De tudo o que você poderia fazer a meu respeito,preferiu me guardar e de todos os possíveis lugares em que você poderia me guardar(na estante,embaixo da cama,dentro de um livro qualquer,atrás de um quadro,numa redoma de vidro,num baú…)você me ofereceu um coração.
De todos os lugares em que eu poderia morar,foi aí que eu quis me esconder.
E de todos os momentos que eu poderia aproveitar em cada lugar que já vi,é no teu coração que eu quero ficar…morar…sempre.

domingo, 8 de abril de 2012

Nessum doma

Toca-me o coração a humildade com que os grandes Espíritos se vestem.Não só este que se apresenta,mas tantos outros que estão por aí escondidos,tocando os corações e oferecendo alívio às almas necessitadas.As grandes almas são aquelas que mais se dedicam a servir o próximo com aquilo que tem.Aquele que canta resgata almas assim,usando divinamente o dom que lhe foi concedido.Que Deus nos permita ver e ouvir muitos "anjos" como este.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Do seguir em frente















E as coisas estão se perdendo da pior forma possível:lentamente,passeando e rodopiando à minha frente e me mostrando o quão incapaz eu sou neste momento.Eu já aguardava essas perdas(e elas não deixam de ser ruins só porque eu as aguardava) e o tempo acaba por trazer a resignação.Não tem sido fácil os últimos dias,as últimas noites…é como se a corda não me suportasse mais e eu fosse obrigada a saltar,na verdade,nem me perguntaram se eu queria saltar,mas estão me empurrando aos poucos,indiretamente,da forma mais sutil e dolorosa(antes me empurrasse de vez!),arrancando as flores que eu amarrei,para que a corda não fosse tão assustadora,tirando o meu guarda-chuva,o meu riso,a minha sapatilha,descaracterizando tudo o que eu havia entendido ser importante.A tenda está sendo desmontada,até a rede de proteção tiraram!Os animais foram enjaulados novamente,os palhaços,antes com sorrisos nas orelhas,já tiraram a pintura do rosto e hoje sentam e só olham pro nada.E eu ainda continuo sobre a corda,mesmo percebendo que não me querem mais ali.Tudo bem se eu cair,tudo bem que tirem as flores que eu coloquei,que arranquem o meu guarda chuva,as sapatilhas…tudo bem,não tem mais problemas,eu vou saber seguir em frente,esperar pela próxima atração,mas só como espectadora,vou esperar o próximo trem na estação mais perto e vou…sem choro,sem tristeza….eu apenas vou.Que palma da mão de Deus esteja me amparando quando eu cair por inteiro.

domingo, 1 de abril de 2012


(…) mas gosto de você como se gosta das coisas que não se tocam, mas se têm. Como a beleza do céu no início da manhã ou no fim da tarde, que tudo que podemos fazer é guardar atrás dos olhos fechados. Te guardo assim, no infinito dos amores não vividos. Só ama pra sempre quem morre apaixonado.”
Com o coração inteiro, Cecília.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Da compaixão de Deus



E eis que a menina,aquela menina de todas as vezes,jogou tudo fora.Sentimentos,lembranças…tudo o que se referisse a ele,ela atirou para o outro lado do muro,muro que a protegia de todas aquelas dores desnecessárias,de todas aquelas lágrimas de tristeza.Muro que a protegia,inclusive,daqueles momentos tão bons(momentos que ela também revolveu se livrar).
Jogou tudo fora.Rasgou o coração(que doeu tanto,coitado!)e limpou tudo. – “Vai ser melhor assim”. E,cansada,ela se deitou nas terras da emoção.Deus,com todo o seu amor e compaixão,olhou para aquele ser e se compadeceu. – “Chuva,tu que levas as impurezas da terra e deixa somente o cheiro e o rastro das essências,lava o rosto daquela menina! Lava a sua alma de anjo e carrega contigo tamanha dor;deixa somente a essência da vida,deixa apenas a prova do maior motivo da vida.” A chuva desceu para a terra,e, naquele dia, ela caiu para a menina,levando suas lágrimas salgadas e desmanchando a tristeza de sua alma.E ela agradeceu.Mas,ao descer para a terra, a chuva viu o que a menina havia atirado para fora:era a essência a que Deus se referia.Dali retirou todas as impurezas e as levou para o fundo do abismo e a essência foi diluída.Após toda a tempestade,por entre as frestas do muro,corria água,corria chuva, chuva e essência. – “Mas,chuva! Por que trazes novamente o lixo para dentro de mim? – “Junto ao lixo estava a essência e esta,minha menina,não pode ser jogada fora, porque é presente de Deus.”- E ela foi vendo tudo florescer novamente.Aceitou suas lembranças,seus sentimentos…e foi viver. “É de Deus o amor- disse a chuva- e,sabendo Ele que a menina jamais amaria outro,devolveu a essência para a dona.Vive,minha menina!Ame,mesmo que para isso ainda necessite de lembranças.Faça delas as suas asas,o teu voar.Voa,minha menina…ama!

terça-feira, 20 de março de 2012

domingo, 11 de março de 2012

Do compreender


Às vezes eu ouso montar no mesmo cavalo descontrolado que o vejo cavalgar.Na verdade eu tento acompanhar do meu cavalo.Algumas pessoas também acompanham,mas desistem no meio do caminho,outras eu vejo, vez em quando,rodando ali por perto.Mas eu disse que iria até o final(uma decisão que só o mineiro tem coragem de tomar e só um nordestino é capaz de cumprir.E eu,(in)felizmente sou as duas coisas).Acompanho todo o trajeto do negro corcel que sai tomando a estrada e chega a desnortear o cavaleiro algumas vezes.Eu o sigo pra entender determinadas coisas…sigo da minha estrada.
São tombos feios!Às vezes o corcel tropeça no próprio caminho,outras vezes o cavaleiro se atrapalha,erra o caminho,chora,grita…mas nessas horas de maior desespero não há ninguém por perto.
Se eu estivesse no lugar do caveleiro,tendo que saber de tantas críticas,já com as mãos cortadas pela rédea,com o coração doído…eu ia querer só uma mão estendida e um sorriso nos lábios.E por mais que eu continuasse errando sempre,por mais que eu me fizesse de domador e risse das coisas que me aconteceram, eu ia querer que esta mão continuasse a se estender pra mim.
Eu ia querer…
Eu fico…
Eu me estendo…

sábado, 10 de março de 2012

Da despedida


“…Foi bom te ver,até mais!” Disse ele ,abrindo os braços para ela. “Foi bom te ver também,até mais.” Disse ela entrando no abraço dele.
Os dois sairam,cada um para o seu lado,mas ela ficou ali,presa,sentindo o abraço,as batidas do coração… e na despedida… “Vai com Deus,meu amor.Eu amo você.”Foi assim que ela partiu,só com a vontade de dizer.

terça-feira, 6 de março de 2012

Da aceitação


Tive medo da sua pressa, que sempre me ofende tanto. Tive medo da sua (in)fidelidade. Você sempre foi muito bom, mas dificilmente me emprestou seu ombro, seu colo, sua mão, seu olhar carinhoso, seu suspiro, seu sono, sua fragilidade. Tive medo de ser só desejo, porque para mim sempre foi mais.




Tati Bernardi

sexta-feira, 2 de março de 2012

Do poema

"...que é escuro e frio mas também bonito,porque é iluminado pela beleza do que aconteceu..."

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Da procura

E saí correndo, naquela chuva toda, atrás daquela menina.Peguei a BR, descalça, de pijama,gritando feito uma louca…corri até os meus pés sangrarem,até eu me perder com os faróis e as buzinas dos carros e caminhões.Eu não sabia mais pra que lado ir;atravesso,continuo por aqui,volto pra casa…
Vários motoristas de carro pararam pra perguntar se estava tudo bem e eu agradecia e dizia sim,está tudo ótimo(não sei de onde eu tirava uma cara de pau pra dizer isso.)Eu chorava desesperadamente e depois levantava e corria mais um pouco,então eu caía e ficava por ali…depois eu me sentava…levantava…e a imagem que ocupava a minha tela mental era a da menina que eu tentava salvar. Às vezes a alma dói tanto que a dor se alastra pelo corpo inteiro…não é fácil aceitar que a menina não precisa de mim(ela nem é mais menina),que mesmo errando ela sabe se virar sozinha…não é fácil. Mas eu sempre volto próximo ao condomínio onde eu a vi, na esperança de vê-la passar.Nada de correr atrás, de interrogá-la,de gritar feito uma louca, a única coisa que espero é vê-la…é ver-me olhando para mim mesma.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Da "velha nova"


O que sou,afinal? Nova demais para certas coisas e velha demais para outras tantas!Não consigo encontrar uma lógica nos parâmetros que as pessoas usam para classificarem-se umas as outras como “nova” ou “madura”.O que eu sou,afinal? Tantos erros dos “maduros’ que foram meus aos 15 anos de idade,tantos acertos que eles conseguem descobrir agora,mas que valem para mim há muito tempo.O que eu sou,afinal? Dentro dessas lógicas incertas das pessoas, eu não consigo me definir e nem achar absolutamente nada que seja para mim,que se pareça comigo.Me sinto uma velha nova(de dentro para fora) que perde as noites tentando entender os seus próprios pensamentos,que não consegue acreditar em conselhos dos “maduros” porque,aos 15 anos de idade,descobriu sozinha que aquilo não é verdade.Entre tantas afirmações,tais como: “deixa de ser velha,menina!” e “você é uma criança,minha filha!” a vida se torna uma “aventura”. É como viver sempre alguns degraus à frente do que se deveria.Não dá pra viver das fantasias da idade sabendo que elas não levam a lugar nenhum,mas também não dá pra ser maduro o suficiente para acreditar na simples conveniência dos relacionamentos,no puro stress e lucro(ou não) do trabalho,na lógica dolorosa que os indivíduos elaboram sobre suas vidas…
O que sou,afinal?
(E lá se vai mais uma noite com esses pensamentos…)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Do dividir só um pouquinho

"Sinceramente,pra mim é tudo uma questão de ponto de vista.Onde você vê solidão eu vejo reflexão,onde você vê mágoa eu vejo aprendizado,em quanto você olha para os obstáculos eu viso a linha de chegada,em quanto você fala dos perigos da vida eu quero saltar da montanha mais alta,em quanto você vê o impossível e vira as costas eu planejo a estratégia mais inusitada de todos os tempos.Piso nos espinhos,mas lembro que existem flores e é nessas horas que eu sei que estou na vantagem."

(Tem horas que eu me acho genial,mas algumas outras eu me acho patética.)