sexta-feira, 23 de março de 2012

Da compaixão de Deus



E eis que a menina,aquela menina de todas as vezes,jogou tudo fora.Sentimentos,lembranças…tudo o que se referisse a ele,ela atirou para o outro lado do muro,muro que a protegia de todas aquelas dores desnecessárias,de todas aquelas lágrimas de tristeza.Muro que a protegia,inclusive,daqueles momentos tão bons(momentos que ela também revolveu se livrar).
Jogou tudo fora.Rasgou o coração(que doeu tanto,coitado!)e limpou tudo. – “Vai ser melhor assim”. E,cansada,ela se deitou nas terras da emoção.Deus,com todo o seu amor e compaixão,olhou para aquele ser e se compadeceu. – “Chuva,tu que levas as impurezas da terra e deixa somente o cheiro e o rastro das essências,lava o rosto daquela menina! Lava a sua alma de anjo e carrega contigo tamanha dor;deixa somente a essência da vida,deixa apenas a prova do maior motivo da vida.” A chuva desceu para a terra,e, naquele dia, ela caiu para a menina,levando suas lágrimas salgadas e desmanchando a tristeza de sua alma.E ela agradeceu.Mas,ao descer para a terra, a chuva viu o que a menina havia atirado para fora:era a essência a que Deus se referia.Dali retirou todas as impurezas e as levou para o fundo do abismo e a essência foi diluída.Após toda a tempestade,por entre as frestas do muro,corria água,corria chuva, chuva e essência. – “Mas,chuva! Por que trazes novamente o lixo para dentro de mim? – “Junto ao lixo estava a essência e esta,minha menina,não pode ser jogada fora, porque é presente de Deus.”- E ela foi vendo tudo florescer novamente.Aceitou suas lembranças,seus sentimentos…e foi viver. “É de Deus o amor- disse a chuva- e,sabendo Ele que a menina jamais amaria outro,devolveu a essência para a dona.Vive,minha menina!Ame,mesmo que para isso ainda necessite de lembranças.Faça delas as suas asas,o teu voar.Voa,minha menina…ama!

terça-feira, 20 de março de 2012

domingo, 11 de março de 2012

Do compreender


Às vezes eu ouso montar no mesmo cavalo descontrolado que o vejo cavalgar.Na verdade eu tento acompanhar do meu cavalo.Algumas pessoas também acompanham,mas desistem no meio do caminho,outras eu vejo, vez em quando,rodando ali por perto.Mas eu disse que iria até o final(uma decisão que só o mineiro tem coragem de tomar e só um nordestino é capaz de cumprir.E eu,(in)felizmente sou as duas coisas).Acompanho todo o trajeto do negro corcel que sai tomando a estrada e chega a desnortear o cavaleiro algumas vezes.Eu o sigo pra entender determinadas coisas…sigo da minha estrada.
São tombos feios!Às vezes o corcel tropeça no próprio caminho,outras vezes o cavaleiro se atrapalha,erra o caminho,chora,grita…mas nessas horas de maior desespero não há ninguém por perto.
Se eu estivesse no lugar do caveleiro,tendo que saber de tantas críticas,já com as mãos cortadas pela rédea,com o coração doído…eu ia querer só uma mão estendida e um sorriso nos lábios.E por mais que eu continuasse errando sempre,por mais que eu me fizesse de domador e risse das coisas que me aconteceram, eu ia querer que esta mão continuasse a se estender pra mim.
Eu ia querer…
Eu fico…
Eu me estendo…

sábado, 10 de março de 2012

Da despedida


“…Foi bom te ver,até mais!” Disse ele ,abrindo os braços para ela. “Foi bom te ver também,até mais.” Disse ela entrando no abraço dele.
Os dois sairam,cada um para o seu lado,mas ela ficou ali,presa,sentindo o abraço,as batidas do coração… e na despedida… “Vai com Deus,meu amor.Eu amo você.”Foi assim que ela partiu,só com a vontade de dizer.

terça-feira, 6 de março de 2012

Da aceitação


Tive medo da sua pressa, que sempre me ofende tanto. Tive medo da sua (in)fidelidade. Você sempre foi muito bom, mas dificilmente me emprestou seu ombro, seu colo, sua mão, seu olhar carinhoso, seu suspiro, seu sono, sua fragilidade. Tive medo de ser só desejo, porque para mim sempre foi mais.




Tati Bernardi

sexta-feira, 2 de março de 2012

Do poema

"...que é escuro e frio mas também bonito,porque é iluminado pela beleza do que aconteceu..."