
E eis que a menina,aquela menina de todas as vezes,jogou tudo fora.Sentimentos,lembranças…tudo o que se referisse a ele,ela atirou para o outro lado do muro,muro que a protegia de todas aquelas dores desnecessárias,de todas aquelas lágrimas de tristeza.Muro que a protegia,inclusive,daqueles momentos tão bons(momentos que ela também revolveu se livrar).
Jogou tudo fora.Rasgou o coração(que doeu tanto,coitado!)e limpou tudo. – “Vai ser melhor assim”. E,cansada,ela se deitou nas terras da emoção.Deus,com todo o seu amor e compaixão,olhou para aquele ser e se compadeceu. – “Chuva,tu que levas as impurezas da terra e deixa somente o cheiro e o rastro das essências,lava o rosto daquela menina! Lava a sua alma de anjo e carrega contigo tamanha dor;deixa somente a essência da vida,deixa apenas a prova do maior motivo da vida.” A chuva desceu para a terra,e, naquele dia, ela caiu para a menina,levando suas lágrimas salgadas e desmanchando a tristeza de sua alma.E ela agradeceu.Mas,ao descer para a terra, a chuva viu o que a menina havia atirado para fora:era a essência a que Deus se referia.Dali retirou todas as impurezas e as levou para o fundo do abismo e a essência foi diluída.Após toda a tempestade,por entre as frestas do muro,corria água,corria chuva, chuva e essência. – “Mas,chuva! Por que trazes novamente o lixo para dentro de mim? – “Junto ao lixo estava a essência e esta,minha menina,não pode ser jogada fora, porque é presente de Deus.”- E ela foi vendo tudo florescer novamente.Aceitou suas lembranças,seus sentimentos…e foi viver. “É de Deus o amor- disse a chuva- e,sabendo Ele que a menina jamais amaria outro,devolveu a essência para a dona.Vive,minha menina!Ame,mesmo que para isso ainda necessite de lembranças.Faça delas as suas asas,o teu voar.Voa,minha menina…ama!


