sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Do reconhecimento

" Não trago do mundo, Senhor,nenhuma oferenda para a tua grandeza! Não possuo senão o coração, exausto de sentir e bater, como um vaso de iniqüidades. Mas, no dia em que te lembrares do misero pecador que te contempla no teu doce mistério como lâmpada de luz eterna, em torno da qual bailam os sóis como pirilampos acesos dentro da noite, fecha os Teus olhos misericordiosos para as minhas fraquezas e deixa cair neste vaso imundo uma raiz de açucenas. Então, Senhor, como já puseste lume nos meus olhos que ainda choram, plantarás o lírio da paz no meu coração que ainda sofre e ainda ama."

- Do livro: "Crônicas de Além-Túmulo", Psicografado por Francisco Cândido Xavier.

sábado, 20 de outubro de 2012



Não, a música não é triste. Eu também não estou triste. A música apenas chega em lugares dentro de mim que nem eu mesma consigo chegar.

Este é o meu suspiro de alívio, de glória, de felicidade, mesmo que para alguns seja apenas uma música triste.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Reduzindo tudo a nada




Lá vou eu, me embriagando com o terrível vício de me esquecer. Jogo os artigos sobre a mesa, os livros no chão, a caneca de chá sempre a altura das mãos, e os devoro, todos os dias, todas as horas, até eu não saber mais o que sinto, até não me lembrar de mais nada que não seja fórmulas, vitaminas, minerais, metabolismo, forma ativa, proteínas, bactérias, e outras tantas coisas. É nesse exagero que eu me perco.  Não consigo falar de mais nada que não seja isso e a novidade é sempre esta: “estou na correria”; a superação se resume a entender o artigo que irei apresentar semana que vem. Hoje eu me cansei disso. Este processo suicida tem me deixado tão cega, que mal consigo pensar no que escrever sobre o que vejo (quando vejo); tem sugado meu equilíbrio de tal forma, que tudo é motivo para eu me sentir mal: o português ruim dos outros, os meus inúmeros erros gramaticais... até a voz das pessoas me deixou irritada hoje.
Às vezes me esqueço o quanto preciso do silêncio (mental), dos amigos, da família, do sono, do amor... me esqueço que eu preciso de mim, sóbria, serena, equilibrada.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Só um chiste...




"Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo."


Pablo Neruda

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Sê




Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.


Pablo Neruda

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Toque



É só um toque que ela ouve enquanto carrega seus pensamentos para o "guarda- sonhos"; enquanto espera pacientemente impaciente; enquanto corre dentro de si mesma; enquanto lembra... enquanto presta atenção em seu respirar calmo e suave.

É só um toque que ela ouve... enquanto vive.