quarta-feira, 29 de maio de 2013

Da parte mais linda do diário

Rosa,é você!
Por que sumiu? Anda estudando muito, vivendo muito, ou vivendo tão pouco que não tem tempo para mais nada?

Rosa, você pintou os cabelos?

Eles estão mais escuros. Lembro-me de quando você era bem loirinha,minha filha! E a gente ouvia.... como é,Lia? "Mia Gioconda"? É! Ouvíamos "Mia Gioconda", ali naquela sala, quando eu chegava do trabalho, cansado, e você aparecia, cantando tudo errado e com aqueles cabelos loiros e despenteados "Vô, canta para mim?"

Rosa, você emagreceu?
  Você era tão gordinha,minha filha! Lembro até quando você ficou presa na estante da Ave Maria da sala. Depois disso eu mandei destrui-la.

Rosa, deita aqui e deixa eu lhe fazer um cafuné e cantar para você novamente.



Rosa( que nunca foi Rosa), sentiu novamente o doce prazer do colo de um pai.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Introspecção

Ela nunca foi boa com palavras,apesar de gostar muito delas. Todos aqueles discursos de uma hora, lindos, inteligentes...ela sempre se perguntava: "como ele consegue?"
Mas ela não tinha tanta aptidão assim. Talvez por ser ainda uma menina, mas  que quando se tornasse uma mulher seria uma verdadeira poetisa, que encantaria a todos com o seu dom.... talvez isso demorasse séculos para acontecer... ou talvez ela não quisesse nada disso.
Ela então foi descobrindo que a chuva, o pôr-do-sol, a lua cheia na madrugada fria, o seu ser intrépido, descalço e viajante, o barulho das ondas do mar limpando a areia esquálida, o vento frio que sussurra amor para as copas das árvores, eram as suas palavras. Esse era o seu talento.


Então escrever e falar, se tornaram coisas mínimas para ela. Quem sabe quando se tornar uma mulher ela deixe essas bobagens de lado.