Sempre admirei os
grandes personagens históricos que morreram por um ideal. Sempre que ouvia
falar deles, pensava comigo: “será que precisava disso tudo? Pessoas exiladas,
torturadas, sozinhas…será que se fossem mais diplomáticas (ó, céus!) as coisas
não se resolveriam? “E esse foi o meu argumento até hoje. Ou melhor, até antes
do banho de 60 minutos que tomei agora a pouco. Esse foi o meu pensamento até
eu ter que lidar diretamente com escolhas, com o “eu apoio” e “não, eu não
apoio”, até eu ter que largar a diplomacia (leia-se medo do enfrentamento) e
perceber quantos, até mesmo aqueles que comungam dos mesmos ideais que eu, me
virarem as costas, porque não tiveram a sua vontade atendida. Agora eu entendo
que o meu ideal sou eu mesma, que o meu ideal é um reflexo da minha construção
ética e moral. Negligenciá-lo ou negá-lo, para satisfazer a vontade dos outros,
quando essa vontade não condiz com a filosofia ou o objetivo proposto, é negar
a mim mesma, é negar a todos aqueles que morreram defendendo o direito de
professar tudo o quanto acredita (acredita mesmo, já que ninguém morre).
Entendendo isso, eu também entendo que, em muitos momentos, estarei sozinha
(por sorte eu tenho os mais chegados “do lado de lá” que não me largam assim
tão fácil.), ou com aqueles poucos amigos. Apenas eu e a ideia.
Quero poder olhar para
ela e me sentir feliz. Quero poder olhar para mim e me sentir feliz. Eu quero
perceber a minha consciência tranquila...e feliz.