sexta-feira, 30 de novembro de 2012

"Amorveniência"

"Me ajuda?"  "Ajudo."
"Me empresta?"  Empresto.
"Me leva?"  "Levo."
"Burca-me?"  "Busco."
"Me lembra?" "Lembro."
"Faz para mim?" "Faço."
"Me desculpa?" "Desculpo."
 "Vem?" "Vou."
"Te amo"." Por quê?"
 "Você é gentil, sincera e me ama também."

"Venha!" "Por que você não vem?"
"Faz para mim!" "Por que você não faz?"
"Me lembre!" "Por que você não compra uma agenda?"
"Traga!" "Por que você não vem buscar?"
"Me empresta!" "Por que você não compra?"
"Ajude-me!" "Por que você não se ajuda primeiro?"
"Não te amo mais"." Por quê?"
"Você me despreza, não me ama, é má, indelicada e insensível."
Acha que não o amo porque não faço o que você quer? Porque não sou conivente com o comodismo que você criou para si?"
"..."

"Então... acabou."

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

E a madre chorou de saudades do convento, que era seu pseudoescudo-esconderijo, espelho fiel do seus medos imperdoáveis, da sua cômoda e mentirosa rotina interna.
Sentiu saudades das bênçãos que concedia, do silêncio sepulcral que ecoava nas pedras vazias e úmidas que formavam a sala  fétida e escura, onde ela se recolhia ( ainda mais) para suas orações, tão emotivas quanto as paredes de sua sala.
Ela sentiu falta da reclusão, do isolamento.

Mas a cada dia ela se vê longe dessas ações pérfidas de outrora. Que Deus abençoe os seus caminhos.

In nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Daqui estou vendo o amor...


"... vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender..."

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ciúmes


Existem coisas que não estamos acostumados a sentir, outras que não estamos preparados para sentir e outras que não deveríamos pensar em sentir, porque, mais que qualquer outra situação vivenciada, coloca em cheque tudo aquilo pelo que se está lutando.  Nunca imaginei que a menina fosse passar por uma situação dessas; perdida, de mãos atadas, chorando e confusa, porque, num determinado momento, sentiu o que nunca havia sentido antes. A dúvida assolou o seu coração de uma maneira tão cruel, punitiva e intensa, que suas articulações doíam; ela não sabia o que fazer com aquilo que a deixava sem ação. Subiu uma pequena serra, subiu em árvores, cantou,dançou, sorriu, mas no final das contas tudo reaparecia, como a pedir um destino, mas ela não sabe o que fazer. A única coisa que consegue aliviar suas “dores” é a música que ela ouve repetidamente, até cair no sono e, em seus sonhos, esquecer tudo isto.
Ela se arrisca a seguir para o seu “guarda sonhos”, mas até lá algumas coisas tendem a se desfazer e, por um minuto, o sorriso que sempre a acompanha, sede lugar para um semblante doído e seus grandes olhos vivos e brilhantes se fecham para derramar lagrimas, mas é só até que ela saiba o que fazer com tudo isso.

É infantil, é ridículo, ela sabe... talvez por isso doa tanto.

Da convivência


Há muito não via aquela mulher feliz. Tempestades, terremotos, lágrimas, injúrias, descrenças, assolaram a sua vida durante 20 anos; seus olhos, desde que eu a conheço, por mais tranqüilos que se mostrassem, no fundo só havia nuvens carregadas. Foram vinte anos de sua vida dedicados a servir a tantos que não a compreendiam, que a ignoravam, que vomitavam palavras torpes em seu rosto e rasgavam-lhe as vestes, num ato cruel de violência emocional. E era assim que ela andava há duas décadas atrás, rasgada, doente, triste. Mas foi em um desses momentos de extrema tristeza que ela revelou aquilo que ninguém jamais pensou que ela pudesse sonhar: a extrema necessidade de ser amada. Ela então se libertou das algemas que a fazia prisioneira e foi viver; era aquilo o que ela queria, o que ela precisava: conhecer a sensação de ser amada, de ser bem tratada, de ser uma mulher( já que ela viveu tanto tempo como máquina). Ela caminha para onde quer, a hora que deseja, ao lado de quem lhe faz bem e ninguém mais pode tirar isso dela. Aos poucos ela refaz sua vida,deixando que as cicatrizes sejam apenas provas de sua luta.

Que ela encontre a quem amar e, ao amar, que seja amada.