Não sei se é porque estou sozinha no hotel,sem fazer nada(já que o congresso só começa às 14:00 e agora são, precisamente,11:55),mas me lembrei do rapaz que vi saltar de para quedas no dia em que cheguei.Eu inda tenho a terrível postura de tentar "adivinhar"a vida das pessoas(isso me trazia um incômodo terrível,mas agora não mais)e achei interessante tentar imaginar o trajeto e as sensações do indivíduo, antes que pudesse estar ali.
A namorada dele não gostou da ideia.Os amigos mais próximos o apoiaram,os mais distantes o criticavam,mas não comentavam nada quando em sua presença.A sua mãe quase morre de preocupação,já que no seu tempo essas coisas não eram "normais",mas ele...ele estava decidido.Queria saltar de para-quedas,sentir a adrenalina correr pelo corpo.Decidiu isso na segunda feira.
Na terça sua namorada contou que não havia gostado da ideia,que poderia acontecer algum imprevisto porque nem sempre esses materiais de paraquedismo são confiáveis.Na quarta um de seus amigos comentou que havia escutado em um restaurante que um casal da mesa ao lado da sua ouviu dizer que um amigo da prima da tia de terceiro grau da mãe,havia morrido num desses saltos(esses ouvidos nervosos...)Agora o homem estava confuso.E se o seu para-quedas não abrisse?E se chovesse no dia? E se o equipamento batesse em alguma árvore,rasgasse e ele caísse no meio da rua e fosse atropelado?E se desmaiasse em pleno voo?Ele não dormiu na quinta a noite e estava completamente aéreo na sexta pela manhã.No horário de almoço preferiu sentar-se no banco da praça,próximo ao seu trabalho,e lá ficou pensando.Uma menina(sempre as meninas)se aproximou e perguntou se havia algum problema com ele e,como ele não tinha nada a perder, contou pra ela todo o seu "conflito" e disse ao final: "Eu não sei o que fazer!".A menina o olhou com uma simplicidade incrível e perguntou: "o que você sente que deve fazer?O avião pode cair, ou não;e se o seu voo for perfeito? E se, ao invés de chuva,estiver um lindo por-do-sol? Ela então pegou uma garrafa de água e colocou na frente do rapaz e perguntou: O que você vê? Ele achou a pergunta um tanto infantil,mas respondeu:"vejo uma garrafa meio vazia".Ela disse:"pois eu vejo uma garrafa meio cheia".É só mudar o foco."
O homem não pensou duas vezes.Saiu correndo do banco da praça,foi em casa, deixou um bilhete explicando sua decisão à namorada.Vestiu a roupa que mais gostava e partiu para o clube de paraquedismo.Lá recebeu todas as instruções de como deveria proceder.O avião decolou.Seu coração estava a mil,mas ele sabia que era aquilo que queria fazer.As portas do avião se abriram e ele se jogou.O por-do-sol estava fantástico e uma brisa fresca passeava pela cidade e ele se encantou!Percebeu que há muito não observava o por-do-sol, de cima ele viu os jardins de sua cidade e lembrou que nunca mais passeara com sua namorada por aqueles lugares,ele viu o quanto a cidade em que mora é linda!E então ele gritou de felicidade.Neste momento estava eu, sentada na janela de um quarto de hotel. E eu o vi feliz, quando poderia estar triste.Bastou apenas... mudar o foco.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Desatado por Complexus