E saí correndo, naquela chuva toda, atrás daquela menina.Peguei a BR, descalça, de pijama,gritando feito uma louca…corri até os meus pés sangrarem,até eu me perder com os faróis e as buzinas dos carros e caminhões.Eu não sabia mais pra que lado ir;atravesso,continuo por aqui,volto pra casa…
Vários motoristas de carro pararam pra perguntar se estava tudo bem e eu agradecia e dizia sim,está tudo ótimo(não sei de onde eu tirava uma cara de pau pra dizer isso.)Eu chorava desesperadamente e depois levantava e corria mais um pouco,então eu caía e ficava por ali…depois eu me sentava…levantava…e a imagem que ocupava a minha tela mental era a da menina que eu tentava salvar. Às vezes a alma dói tanto que a dor se alastra pelo corpo inteiro…não é fácil aceitar que a menina não precisa de mim(ela nem é mais menina),que mesmo errando ela sabe se virar sozinha…não é fácil. Mas eu sempre volto próximo ao condomínio onde eu a vi, na esperança de vê-la passar.Nada de correr atrás, de interrogá-la,de gritar feito uma louca, a única coisa que espero é vê-la…é ver-me olhando para mim mesma.
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Desatado por Complexus