Ela tremia até os ossos.Estava com frio, tensa....ela amava alguém.Ela se continha ao olhar pra mim,mas, por dentro,até o coração sentia frio.Ela acordou com essa sensação,passou o dia com ela e agora à noite,sempre á noite,ela já não conseguia segurar.
Mas me recordo de um momento do dia em que ela esteve mais quentinha que qualquer outra pessoa da cidade!Esteve coberta até os olhos,o nariz...nem seus dentes se batiam e nem seus lábios estavam roxos.Seu coração batia com-pas-sa-da-mente,sem conflito algum...só batia.
Mas agora essa criaturinha chega em minha casa tremendo de frio e eu,sinceramente,não sei o que fazer para aquecê-la(quando se fica mais quentinha que as outras pessoas da cidade, é difícil se contentar com míseros cobertores).Já tentei de tudo,mas seus grandes olhos não conseguem mentir:ela sente frio ainda.Dei um chá bem quentinho,cobri o seu corpo com três cobertores, dos melhores que tenho,dei um banho de água quase fervendo,mas nada adiantou,por mais que ela dissesse "tudo bem,tia!Já passou",seus olhos tremiam da mesma forma que os dentes se batiam dentro da boca,e os seus lábios já estavam tão roxinhos...ela se fez de forte(na verdade ela sempre faz isso),mas por dentro tudo tremia.
Agora ela treme um pouco menos.Tento fazê-la se lembrar dos breves,eternos e magníficos minutos em que nenhum vento(ou vazio gelado)ousava incomodar-lhe.Como os seus lábios estavam vermelhinhos e a ponta do seu nariz bem quentinha,como o seu coração batia compassadamente,calmamente...
Ela me perguntava toda hora: "Tia,quando é que eu vou parar de tremer tanto?"E toda vez que fazia isso,era eu quem tremia: "Não sei,minha querida,mas acho melhor você dormir.Quer que eu pegue mais um edredom(esta sempre era a minha fala,medíocre fala)?"E ela fazia um sinal afirmativo com a cabeça,virava pro canto e fechava os olhos e eu tentava(na verdade eu tento até agora)amenizar o frio externo,mesmo sabendo que o frio extremo que ela sentia(e sente ainda) é na alma.
04/11/2011 22:30
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