
"...Deve ser por causa do medo do moço que a menina não gosta de rimas... Aprendeu que amor rima com dor, coração com desilusão, pensamentos com tormentos... Ah, menina... Acho que você nem sabe que seu brilho é maior que o sol. Se eu tivesse escrito seu apelido, teria feito uma rima, foi por isso que te chamei desde o início apenas de menina... Mas nem tudo na vida da menina só rima com dor, desilusão e tormento. Há dias de sol, de sorrisos, de música e poesia. E quando os dias estão nublados, a menina é a própria luz que ilumina a vida. Quem vê a menina nos fins de tarde a andar sem destino pelas ruas com fone de ouvido a cantarolar uma canção, se observar mais de perto, perceberá que o sol logo se põe toda vez a menina aparece com seu brilho e sorriso doce. É que o brilho da menina ofusca o brilho do sol, e ele não tem outra saída além de se esconder por entre as nuvens ofuscado e entristecido.
A menina é o próprio sol, é a própria música, é toda feita de amor. Os sonhos da menina são pura poesia. Se eu não tivesse visto a menina tão de perto, se não soubesse da sua história, jamais acreditaria na existência dela, diria ser fruto da minha inspiração. Quem sabe depois de ter conhecido o moço, de olhos tristes e cansados, não teria eu criado a menina para que a vida do moço tivesse um pouco mais de brilho e alegria? Mas amor a gente não cria, amor a gente descobre. Se a menina é puro amor é porque existe, tem até um apelido que rima com sol... E por existir foi que tocou o coração do moço. Mais dia, menos dia, o moço acabará descobrindo que quem lhe toca a campainha é amor da moça, e acabará abrindo a porta da frente, permitindo que o amor entre em sua casa e ali faça morada. O amor tem destas coisas..."
(Daniela Melo, 11 de novembro de 2011.)
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