terça-feira, 28 de agosto de 2012

Do sonho que é só dela


Ela então levantou- se de súbito e ele, como a entender que aquilo era uma despedida, levantou- se também para cumprimentá-la. A menina fixou firmemente o seu olhar nos olhos dele, se aproximou  e, com a suavidade de uma flor, tocou-lhe o rosto já tão marcado pelo tempo. Delineou cada traço, cada linha que conseguia perceber, tentando adivinhar o porquê de elas estarem ali. Ele apenas fechou os olhos para sentir o toque daquela mão tão suave e respirava fundo, como a guardar dentro de si o perfume que ela carregava. Ele então abriu os olhos, a segurou docemente pela cintura e aproximou-a ainda mais do seu corpo. Ela, com toda a simplicidade de uma menina, perguntou: “Está com medo?” Ele apenas balançou a cabeça negativamente e, no momento em que tentou encostar seus lábios nos dela, cuidadosamente e com um sorriso que indicava a plena consciência de seus atos, ela encostou o seu dedo indicador, impedindo-o de continuar: “ Não sei se você já percebeu isso, mas eu nunca tive a oportunidade de lhe fazer um carinho.” E tocou levemente os cabelos cacheados do menino. E foi durante o percurso dos dedos tão magros dela por dentro dos seus cabelos, que ele entendeu o que era verdadeiramente importante. E se sentiu feliz. Olhou para os olhos – grandes olhos- da menina e beijou-lhe a fronte, com doçura e amor que há muito não sentia por ninguém e permitiu que sua cabeça descansasse sobre aqueles ombros jovens, sem aflição, sem receio. Ali ficaram os dois, se importando apenas com a presença e com a doce felicidade que sentiam na companhia um do outro.

Mas ela abriu os olhos e tudo voltou para o guarda- sonhos que ela havia feito.

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Desatado por Complexus