Existem coisas que não estamos acostumados a sentir, outras
que não estamos preparados para sentir e outras que não deveríamos pensar em sentir,
porque, mais que qualquer outra situação vivenciada, coloca em cheque tudo
aquilo pelo que se está lutando. Nunca
imaginei que a menina fosse passar por uma situação dessas; perdida, de mãos
atadas, chorando e confusa, porque, num determinado momento, sentiu o que nunca
havia sentido antes. A dúvida assolou o seu coração de uma maneira tão cruel,
punitiva e intensa, que suas articulações doíam; ela não sabia o que fazer com
aquilo que a deixava sem ação. Subiu uma pequena serra, subiu em árvores,
cantou,dançou, sorriu, mas no final das contas tudo reaparecia, como a pedir um
destino, mas ela não sabe o que fazer. A única coisa que consegue aliviar suas “dores”
é a música que ela ouve repetidamente, até cair no sono e, em seus sonhos,
esquecer tudo isto.
Ela se arrisca a seguir para o seu “guarda sonhos”, mas até
lá algumas coisas tendem a se desfazer e, por um minuto, o sorriso que sempre a
acompanha, sede lugar para um semblante doído e seus grandes olhos vivos e
brilhantes se fecham para derramar lagrimas, mas é só até que ela saiba o que
fazer com tudo isso.
É infantil, é ridículo, ela sabe... talvez por isso doa
tanto.
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