Senhor, eu que nada tenho, o que tenho dou-te.
Dou-te a minha voz, o meu canto, a minha música
Dou-te os meus passos, tão limitados, porém verdadeiros
Os meus olhos, meus grandes olhos, que, por vezes, refletem tristeza e angústia, mas que querem ser espelho de Tua glória
O meu sorriso que poucas vezes se mostra, mas que clama para traduzir o Teu amor
Dou-te os meus braços, Senhor, para que eles sejam alavancas incansáveis dos Teus pequeninos
Dou-te todas as minhas intenções, na perspectiva de que elas se alegrem unicamente com a Tua presença
Senhor, não tendo absolutamente mais nada, dou-te o meu coração. Este vaso repleto de iniquidades, cansado de sofrer e amar, que roga ardentemente que plantes o lírio da paz em seu íntimo
Porém, Senhor, se a minha voz se calar, se os meus olhos experimentarem o abismo escuro, se os meus braços me forem tirados e o meu sorriso perder-se, dou-te a mim mesma, porque, sabendo que nada tenho, o que tenho....Dou-te.
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